Ombudsman do Mundo  

.::Perfil::.

Nome: Edmur Hiroshi Hashitani
Apelido: Bobby
Idade: 22
Profissão: Jornalista

Ombudsman: Pessoa que fiscaliza a organização da qual faz parte, representando os interesses da sociedade. Tem como função prática criticar sua própria empresa. Palavra de origem sueca: "umbuds man".

Ombudsman do mundo: Tem como objetivo fiscalizar e criticar tudo o que julgar necessário no mundo em que vivemos.

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Segunda-feira, Outubro 06, 2008
Eleições

33,61% da população de SP é inteligente

posted by edmur hiroshi hashitani@12:47 AM

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Terça-feira, Setembro 23, 2008
Bom, se alguém ainda entra por aqui, deve ter percebido que fiquei calado durante todo este período eleitoral. Mas não dá mais. Ainda que eu tenha muitos comentários guardados para após o pleito, esse aqui merece.

Aliás, fazendo a citação, vi a primeira vez no excelente Mesa de Botequim.



posted by edmur hiroshi hashitani@12:33 AM

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Sábado, Maio 24, 2008
Mudança

Resolvi mudar um pouco a cara do blog. Aquele fundo preto e a imagem gigante no topo estavam pesados demais. Portanto, enquanto não conseguir consertar, vai ficar meio bagunçado por aqui.

posted by edmur hiroshi hashitani@11:53 PM

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Ídolos

Há tempos venho ensaiando escrever algo sobre o tema. Não, vocês não lerão aqui nada sobre o famigerado programa de televisão. Falarei sobre os ídolos de verdade, aquelas pessoas que nos fazem torcer por seu sucesso, que fazem alguns cometerem loucuras como viajar quilômetros para chegar perto, ficar horas em filas para garantir o melhor lugar em um show, se descabelarem por um jogo perdido.

Para aqueles que não tem ídolos parece estranha a adoração por outro ser humano que nem imagina que você, individualmente, existe. Isso porque por mais que eles saibam que tem fãs espalhados por aí, ele não te conhece, não sabe quem você é, o que faz. Mas não resolvi escrever sobre eles para questionar quem os tem. Muito menos para tentar explicar tais sentimentos, não teria esta pretensão.

Bom, vamos do começo. A palavra ídolo, obviamente, deriva de idolatria, o que expande seu significado muito além de uma simples relação de admiração. Ainda que o termo seja comumente utilizado para classificar pessoas famosas, ou, com espaço em determinados espaços da mídia. Claro que existem pessoas que chegam a idolatrar celebridades, colocando-as acima do bem e do mal. Eu, pessoalmente, não tenho um ídolo neste sentido, mas sim pessoas que admiro por n fatores. Seja pelo trabalho realizado, por lições de vida, pela personalidade, às vezes simplesmente por “ter ido com a cara”.

Porém, não encontro outra palavra para descrever estas pessoas e o texto ficaria realmente chato se a cada vez que fosse me referir a alguém, ficasse explicando que “é apenas uma pessoa que gosto do trabalho”, então usarei a expressão ídolo aqui. Ressaltando que estamos falando de pessoas “desconhecidas”. Acredito que todos temos ídolos com os quais convivemos, mas aí sim, existem explicações mais lógicas para esta relação.

Decidi que faria este texto quando ainda comemorava uma vitória de um ‘ídolo’. Na hora, tomado pela emoção, tive um insight racional que me fez pensar o porquê de estar tão feliz com uma pessoa que estava do outro lado do mundo e sequer sabia que havia gente torcendo por ela no Brasil, que nem é seu país de origem. Mesmo com a vontade de dedicar um tempo ao assunto, me faltavam argumentos, afinal, eu ainda não conseguia entender o que sentia e porque. Isso até ontem.

Porque ontem me lembrei de meu primeiro ídolo. Da primeira pessoa que me fez brigar porque o achava mais piloto. Da primeira pessoa que me fez chorar, quando partiu. Porque ontem, seu sobrinho, Bruno, venceu no maior de seus palcos.

Foi então que percebi algo que ainda não tinha, sobre este sentimento de “admirador”. Bruno me fez perceber algo que seu tio Ayrton não havia conseguido. Não, ele não me faria entender nada ainda vivo, pois eu era apenas uma criança quando ele se foi. Mas até hoje, ainda tinha para mim que ele havia sido o maior de todos os tempos. Talvez, eu não fosse capaz de compreender isso, até, em função de sua capacidade como piloto. Não havia margem para questioná-lo.

Percebi então que existe uma grande incoerência no sentimento de um fã, porque para ele, seu ídolo é sempre o maior de todos, praticamente perfeito. No entanto, eles estão sempre querendo que ele se supere. Agora, se superar como, se, em tese, ele já é o melhor?

Como jornalista, devo dizer que hoje Bruno é um piloto razoável, que não mostrou uma seqüência de resultados que nos deixe apontá-lo como futuro ídolo incontestável do automobilismo nacional. Mas ele começou a carreira tarde, tem bastante a aprender e pode até se tornar um fenômeno mais tarde.

O que passei ontem me ajudou a entender um pouquinho o meu sentimento. Porque eu vi que aprendi, creio que graças à profissão que escolhi, a separar a admiração por um indivíduo do conhecimento de sua real capacidade. E que aquilo que eu senti enquanto comemorava uma vitória no mês passado talvez se explique na minha dúvida com relação ao talento de meu ‘ídolo’ e à satisfação de vê-lo se superando.

Assim, mesmo sabendo das atuais limitações técnicas de Bruno, é difícil deixar de lado a torcida para seu sucesso. Na verdade, mais por um anseio de voltar a ver seu sobrenome estampado em um carro de Formula 1. Porque mais brasileiros virão, mas quem é ou um dia foi fã de Ayrton, sempre ouvirá um a palavra Senna de um jeito diferente.

posted by edmur hiroshi hashitani@11:10 PM

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Quarta-feira, Maio 21, 2008
Uma pequena história

Imaginem a seguinte cena:

Você tem três filhos, que ama muito e tal. Dois deles moram fora, só ficou contigo o mais novo. Só que você não está na melhor das condições financeiras, as contas são pagas com aperto, mas tenta fazer com que sua família, pelo menos, não passe fome, tendo que ajudar inclusive os que já saíram de casa. Pensou? Pois bem. Aí, você consegue juntar um dinheiro, para colocar na poupança dos meninos, digamos que R$ 50, só para ilustrar.

Antes de você ir ao banco depositar o dinheiro, no entanto, você se lembra da doença de seu caçula. O remédio para o tratamento dele custa algo em torno do mesmo valor que você tem. O que você faria? Acharia melhor investir nos dois filhos já crescidos e saudáveis e deixaria o caçula morrer? Ou pegaria o dinheiro da poupança e pagaria o tratamento, mesmo que por pouco tempo, da criança?

Vocês devem estar pensando, "que absurda a história, o Bobby endoidou de vez". Não, meus caros, não fui eu que perdi o pouco juízo. Por quê? Simples. Peguem estes valores e multipliquem por milhões, talvez até bilhões. Você investiria R$ 50 bilhões no filho que está morrendo ou nos que tem um futuro, já encaminhado, pela frente?

Dirão-me que a saúde de um filho não tem preço e que mesmo que os outros filhos estivessem precisando muito do dinheiro, a saúde vem em primeiro lugar.

Agora acaba o prólogo e vem a parte que vocês percebem que eu não estou louco.

Duas semanas atrás, o BNDES anunciou a criação de um fundo soberano, para julho próximo, que deverá servir pra financiamentos de empresas brasileiras que atuam no exterior. O valor estimado do fundo: US$ 10 bilhões.

Aí, esta semana começou a aparecer que o governo está tentando reeditar a maldita CPMF. Qual a desculpa? Precisamos angariar recursos para investir na saúde pública, pois o país não tem dinheiro suficiente.

Agora digam, não é a mesma coisa? Não tem dinheiro suficiente pra investir na saúde pública, mas tem para juntar em um banco CASO uma empresa brasileira com participação internacional precise?

Não entendo muito disso de fundo soberano, financiamentos gigantescos, se eu estiver falando alguma besteira, por favor, me corrijam. Mas, eu acho meio burrice anunciar que o país está com sobras e criará uma espécie de poupança e logo em seguida dizer que não há dinheiro e que outro imposto pra tirar dinheiro do povo deve ser criado.

E US$ 10 bilhões podiam dar uma belíssima ajuda na saúde, não?

posted by edmur hiroshi hashitani@9:53 PM

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Terça-feira, Maio 13, 2008
Saga gastronômica

Depois da viagem por um mundo de miojo, passei por mais uma experiência traumática com refeições. Dessa vez, sem sequer sair de casa. Semana passada, peguei um folheto de uma tal Raios Pizzaria. Preço convidativo, sabores variados, enfim. Domingo, como eu sou fanático por pizza e estava sem janta, resolvi testar.

Escolhi a pizza, fiz o pedido e aí foi esperar. Esperar. Esperar. Mais de uma hora se passou e nada. A fome já roendo o estômago. Liguei lá de novo, perguntei da pizza, uma moça muito mal educada respondeu “ah, o entregador não achou o número e voltou”. Questionei, afinal, tinha dado ponto de referência, não era possível que ele não tivesse achado. Ela então passou o telefone para outra pessoa, que começou a me perguntar vários dados. Endereço, telefone, nome.
- Pronto, agora já passei os dados, me diz porque a pizza voltou e ninguém fez nada? – disse eu.
- Ok, obrigada, boa-noite. Tutututu.

Rá! Bateu o telefone na minha cara? Espera aí. Liguei de novo, pedi pra falar com o gerente. A mesma fineza de educação falou que era ela. Informei-a que não queria mais a pizza e desliguei.

Meio problema resolvido, pois ainda tinha fome. Tive que pedir outra, em outro estabelecimento já conhecido. Ok. Mais uns quarenta minutos e toca o interfone avisando que o entregador está subindo. O rapaz, com no máximo 16 anos, abre a mala e começa a tirar uma embalagem suspeita.

- Opa, parou aí, de que pizzaria você é?
- Da Itália.
- Mas eu não pedi pizza pra vocês.
- Não?
- Não, você não é da Raios, é?
- Sou sim. É a mesma coisa

Ah não. Expliquei o que aconteceu, reclamei, falei que não ia ficar com pizza nenhuma deles e despachei-o. Mas fiquei com aquele “Pizzaria Itália” na cabeça. Puxei pela memória e me lembrei. Essa é a dona da pior pizza de São Paulo. Eu, que sou maluco por pizzas, não consegui comer a que veio deste lugar quando comprei.

Comecei a ligar uma coisa na outra. O folheto deles nem endereço tinha. Fácil, não? Meu produto é uma porcaria, eu solto panfletos com outro nome, escondo meu endereço e volto a ter clientes. Sacanagem da grossa.

Portanto, moradores aqui da região central, se ouvirem falar em Raios Pizzaria, Pizzaria Itália passe longe, porque vai passar raiva. Se você não mora aqui, tem mais um texto pra rir da minha cara rs. Mas não terminou aqui.

No dia seguinte fui almoçar em um Giraffas. Para quem nunca foi, lá você pede seu prato e eles te dão uma senha. Peguei a minha e fiquei esperando. Vi montarem uma bandeja parecida com o que tinha pedido. Porém, antes de chamarem o número, uma senhora se aproximou do funcionário que a montava e disse "esse é o meu". O cara não discutiu, entregou e ela subiu. Pensei "fizeram merda, esse é o meu". Passou um tempo, outro tempo, outro tempo maior. Comentei com uma das meninas do balcão "olha só, não é por nada, mas acho que deram meu lanche pra pessoa errada". Ela olhou a senha, falou que não, que estavam montando. Aí alguém da cozinha gritou "não tem desse aí na fila aqui não" Ela foi ver e voltou "é, seu pedido não está na cozinha, só um instante". Montou rapidamente e subi para finalmente comer. É, parece que, definitivamente, esta semana começo um regime. Não por vontade própria, mas por conspiração do mundo!

posted by edmur hiroshi hashitani@7:11 PM

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Quinta-feira, Maio 08, 2008
O Presidente foi preso!!

Foi isso que eu disse ontem, quando cortaram a transmissão do futebol pra passar a prisão dos Nardoni ao vivo. Não. Porque só sendo o presidente pra ter tudo aquilo, quase todos os canais ao vivo tentando a melhor imagem. Pra quê isso? Nunca tinha visto cortar um jogo de futebol no meio em todos os meus vinte e dois anos. Muito menos vi a Globo perder a transmissão de um gol, a não ser os gols relâmpagos que acontecem enquanto está passando algum replay. Só podia ser algo muito grave como um golpe militar, um atentado terrorista, o curintia subindo de divisão. Não, era mais um episódio da saga Nardoni.

Na rua da delegacia, o povo com faixas de justiça e se acabando de rir, cheios de expressões de felicidade, quando a câmera às focalizava.
Mas o pior é que agora começa a ladainha toda de novo. A madrasta não jantou. O pai jantou bife com salada. A janta ainda não chegou. O colchão tem 5 cm de espessura. A cela mede x metros por y metros. O sol na cela bate a noroeste de manhã e ao raio que o parte à tarde. Ah... chega.

E só pra não dizer que tem jornalistas que me proporcionam momentos de prazer neste caso, a repórter da Record gritando no microfone e caindo em câmera lenta ontem ao ter o pé pisado por um policial do GOE foi fantástico. Melhor que ela só a espertona da RedeTV que ficou na porta da delegacia e foi atropelada pela comitiva policial que levava Anna Carolina. Voltou pra porta e foi levada novamente pelos policiais que escoltavam Alexandre. Já que, infelizmente, o crime virou circo, vamos rir.

posted by edmur hiroshi hashitani@9:28 PM

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Domingo, Abril 20, 2008
Quebrando a regra

Disse que não falaria mais sobre, mas depois do Fantástico de hoje é impossível. Não me estenderei, mas tenho de dar o braço a torcer. A edição deste domingo do semanal foi mais imparcial do que a emissora vinha sendo, ao exibir entrevistas com psiquiatras afirmando que o povo está se precipitando e pré-julgando o casal Nardoni.

Quanto à entrevista do Salaro, acrescentou pouco ao que já limos, ouvimos e assistimos. O repórter não questionou as evidências apontadas pelos laudos, o que pode até ter sido uma exigência imposta para a realização da matéria. Tudo suposição minha, nada afirmativo, que fique claro. Ainda tenho um sentimento de que não foi o casal, mas acho que se enrolaram de cima a baixo ao falar que a menina queria morar com eles, pois arrumaram uma briga desnecessária com a mãe da menina, que agora deve bater sem dó.

Agora, convenhamos, a Globo é f..., não? Todo mundo atrás desta entrevista e eles emplacam.

posted by edmur hiroshi hashitani@11:28 PM

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É isso e não falo mais

Não vou desenvolver um texto, mas apontar algumas observações que fiz nos últimos dias sobre o caso Isabella Nardoni

- Por que parece que a imprensa quer tanto que o casal seja indiciado?
- Por que gente que nem conheceu a menina viaja 400 km pra gritar na porta do pai da criança?
- Por que outros destes pegam dois ônibus, metrô e faltam no trabalho para o mesmo motivo? (Apareceu na Globo isso)
- Por que o patrão desta que matou serviço não a demite?
- Por que alguém não avisa o povo que cantar “parabéns a você” à menina que foi morta nas ruas é ridículo?
- Por que pessoas colocam na internet homenagens a alguém que não conheceram? Só porque passa na TV?
- Por que ninguém na imprensa fez a seguinte pergunta: “e se não foi ele?”?
- Por que eu não vi nada na Globo, na Band, nem ouvi na CBN, na Jovem Pan e em lugar quase nenhum, uma matéria sobre a garota que matou a mãe, na periferia? O caso é igualzinho ao da Suzane von Richthofen. Mas não dá audiência porque é pobre?
- A Globo tem 18 repórteres no caso, segundo a Folha. Note, 18 repórteres, aqueles que aparecem na tela. Sem contar câmeras, operadores, produtores e por aí vai. Quantos no caso da que matou a mãe? Se existia algum, não vi a matéria em nenhum telejornal da emissora.

Desculpem a expressão, mas já estou de saco cheio disso tudo. Se foram eles, que paguem. Eu mesmo ficaria com vontade de enfiar a mão na cabeça de um desgraçado que faz isso. Agora, não houve confissão, condenação e ainda nem se provou de forma concreta que o pai e a madrasta são os autores. Um inquérito policial é a conclusão da polícia. Um relatório enviado à justiça, que decide se acata ou não.

E o bando de desocupados, porque acha que foram, ou porque vêem na TV que “parece que foi”, tiram suas conclusões, condenam e tentam agredi-los de toda forma. Ah... vão procurar o que fazer, vai.

Outra coisa, só pra terminar. A hipocrisia é tanta, que eu aposto que muitos destes idiotas que estão enchendo o saco da família e dos vizinhos chega em casa e bate no filho porque fez alguma traquinagem.


posted by edmur hiroshi hashitani@12:30 AM

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Sexta-feira, Abril 18, 2008
Peixe fora d’água também morre pela boca

Não é necessário me conhecer pessoalmente pra saber que tenho ascendência nipônica. Basta ver meu sobrenome e fica fácil. Pois bem. Quem não me conhece só não sabe que quando os assuntos são tradições e costumes, o adjetivo japonês não se aplica em quase nada a este humilde jornalista. Dadas as devidas explicações, vamos à história.

Já me preparava pra dormir, por volta de 20h de ontem, quando recebi a notícia que jantaríamos em um restaurante japonês, a convite de meu irmão. Por conta de meu novo emprego, estava pregado de sono. Mas quem me conhece também sabe que eu não costumo recusar chamados para “forrar a pança” com facilidade. Veremos que certo está o ditado que diz que o peixe morre pela boca.

Após um período de negociação familiar, pois o velho não queria ir, os Hashitani tomaram o rumo do bairro da Liberdade.

Chegamos no tal restaurante, havia uma pequena fila. Começa aí a sessão pagação de mico. Dispus-me a entrar pra colocar o nome na espera, enquanto o resto do povo ficou do lado de fora. Se você já assistiu a algum filme oriental, pode ter reparado que as portas dos estabelecimentos geralmente são de correr e não se abrem pra fora ou pra dentro, como as nossas. Pois este panaca que vos escreve parece ter esquecido disto, porque insisti em empurrá-la por um bom tempo até que alguém a abriu.

Após o embaraço, entro no restaurante e aparece um rapaz, com traços nordestinos, trajando um quimono e desembesta a falar em japonês. E eu com cara de pastel sem saber o que fazer. Senti o lugar todo observando a cena bizarra. O brasileiro falando japonês e o japonês boiando. Pedi a mesa e resolvi esperar do lado de fora.

Sentei e comecei a ler o cardápio-tabuleta na porta do restaurante do outro lado da rua. Dizia Lamen disso, Lamen daquilo, Lamen daquilo outro. Lamen é um macarrão, que deu origem ao famoso macarrão instantâneo (Miojo). Até então eu só sabia isso de lamen. Ao terminar a leitura concluí “quem é o idiota que sai de casa pra comer Miojo?”, gerando risadas em minha mãe.

Bem, chegou nossa vez, tomamos assento e um pequeno menino, de uns seis anos, chamou a atenção, em outra mesa, por sua habilidade com os hashis (os famosos palitinhos). Comecei a me preocupar. Ao ler o cardápio, esta preocupação aumentou. Era só lamen com carne, lamen com alga, lamen com broto de feijão, lamen, lamen, lamen... A perplexidade era tanta que não conseguia lembrar de um outro prato qualquer que eu conhecesse. Afinal, o idiota que saiu de casa para comer "miojo" era eu!

Após um breve período notei que todos já haviam feito seu pedido e o garçom esperava justamente pelo meu. Resolvi não arriscar, li o que os ingredientes eram mais conhecidos e soltei “manda esse aqui”, afinal, claro que não conseguiria ler aquele palavrão de nome.

Reparei nas mesas em volta que todos comiam em um chawan (tigela) gigante e o macarrão embebido em uma espécie de sopa. Lembra da preocupação que falei? Pois é, começou a aumentar. Principalmente porque eu sei manejar os hashis com alimentos maiores e mais firmes. Mas como me sairia com aquela tigelona? Já começava a considerar a possibilidade de acontecer alguma tragédia de cunho suíno e ser convidado a me retirar.

A refeição chegou e eu, enquanto me acostumava com a idéia dos palitinhos, ouvi o seguinte diálogo:
- Hashitani sênior: “em alguns restaurantes eles trazem não-sei-o-quê junto”.
- Hashitani 4: “em alguns restaurantes eles trazem não-sei-o-quê-outro junto”.
Rá! Não tive dúvidas!!
- Hashitani 3 (eu): “em alguns restaurantes eles trazem garfo e faca”.
Assim, estava montado o circo.

Bom, no saldo final, até que me dei bem com o kit chawan, talher e refeição, que por sinal, era gostosa até. Já no carro, com parte da consciência recuperada, lembrei-me o que tinha por comida japonesa e perguntei “restaurante japonês não devia ter sushi, sashimi, sukiaki?”. Eis que a resposta foi “mas não fomos a um restaurante, fomos a um Lamen-Ya, ou seja, uma casa de lamen”. Avisar antes que é bom, nada né?

Lição do dia: quando resolver comer em lugares desconhecidos, melhor me certificar do que me espera, pois se desta vez a surpresa não foi desagradável, nunca se sabe o que virá pela frente.

Pra quem quiser se sair melhor que eu, achei este link de etiqueta no restaurante japonês
Etiqueta Japonesa

ODM Serviço:
Aska Lamen
Rua Galvão Bueno, 466

posted by edmur hiroshi hashitani@10:12 AM

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Sexta-feira, Abril 04, 2008
Palmas para o SBT!

Sou sempre suspeito pra falar do SBT. Desconfio que a diretoria não conhece o termo "longo prazo". É programa que fica uma semana no ar, é série que começa de novo de repente, profissionais mandados embora depois de pouco tempo de casa e por aí vai. Tudo em nome do quê? Audiência, claro.

Pois bem, são 6h10 da manhã, acaba de começar o Jornal do SBT Manhã e após as manchetes do dia, o apresentador Hermano Henning avisa com o seguinte (o texto que segue não é literal): "Não haverá overdose sobre o caso da menina Isabella. Não precisamos ficar apenas com o caso em busca de audiência. O caso tem importância sim e a notícia será dada. Mas também existem outras coisas importantes a serem mostradas".

Lindo! Sensacional! Se é tudo verdade o que ele disse, sei lá. Mas já estou cheio destas marteladas que a imprensa dá. O matinal abriu o jornal com as informações, deu cerca de dez minutos ao caso e seguiu. Dez minutos pode ser muito para os padrões da TV brasileira, mas não em casos assim. Comparemos: o Jornal Nacional de ontem entrou com a notícia umas três ou quatro vezes. Foi a prisão do pai, a carta por ele escrita e uma matéria nojenta mostrando depoimento de crianças que estudavam com a pequena. Sim, nojenta. Expôr crianças inocentes, que nem sabem direito o que aconteceu, me dá nojo. O SPTV já tinha sido praticamente exclusivo. O Jornal da Gazeta, que é o único que tenho assistido com freqüência, também falou bastante.

Resultado prático: o pai e a madrasta, que não se sabe se são culpados ou não, começam a ser ameaçados e hostilizados por um bando de zé-manés que assistiram na caixinha mágica que uma menininha foi jogada do prédio e que o pai é suspeito. Eles entendem suspeito? Não. Entendem assassino. Não estou defendendo o rapaz, não sei se foi ele. Até acho que não foi, mas... não vou entrar nesta questão. É fácil olhar na TV e dizer "o cara matou a filha" ou "o cara é inocente". Mas já que a lei diz que toda pessoa é inocente até que se prove o contrário, que assim seja. Se foi ele mesmo, a consciência dele não o deixará dormir por muito tempo.

Voltando ao SBT, não foi ironia, achei mesmo digno o que vi hoje cedo. Quando Henning terminou sua frase, senti uma enorme satisfação. Por mais que eu pare pra ver quando estão falando do caso e reconheça que é um assunto que comove o povo, que atrai a atenção e que assim sendo, gera audiência para as emissoras, que são empresas que visam o lucro e por aí vai, a iniciativa de quem quer que tenha sido no telejornal me fez acreditar que talvez ainda exista espaço para um pinguinho de ética em algum lugar perdido no jornalismo.

Aliás, hoje li um artigo de Carla Soares Martin no Comunique-se com o título: "Isabella Nardoni: como escapar de uma nova Escola Base", mas a pergunta que me faço é: será que os meios de comunicação querem mesmo escapar? O SBT pareceu querer. Parabéns pra eles.

P.S.: Agora são 7h e o Bom Dia São Paulo, da Globo, está no ar. Uma repórter entra ao vivo da delegacia onde o pai da menina está preso e diz "ele chegou após o período da janta e, mesmo assim, a refeição foi oferecida a ele, que não quis se alimentar". De outra carceragem, onde está a madrasta, vem outra repórter: "ela jantou ontem à noite aqui. Hoje ainda não tomou café da manhã, que não foi servido porque ainda não chegou aqui na delegacia". E eu pergunto: E O QUICO? Acho que isso explica a diferença entre fatos relevantes e superexposição.

posted by edmur hiroshi hashitani@6:35 AM

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Sábado, Março 08, 2008
Novidade

Pouca gente sabe, mas eu sou colunista de esportes a motor do Alpha Autos, um jornal da região Oeste de São Paulo. E a partir de hoje, publicarei os textos que escrever para o jornal aqui também. O primeiro, especial para o Dia Internacional da Mulher está logo abaixo. Espero que gostem!

posted by edmur hiroshi hashitani@2:17 PM

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Pilotos de fogão? Só se for a 300 por hora!

Mulheres desafiam o preconceito e brilham no automobilismo mundial

Em quase todos os esportes existe uma separação de categorias que não permite homens e mulheres competindo juntos. É assim no futebol, no vôlei, no basquete, e por aí vai. No automobilismo, no entanto, nunca se viu isso. É difícil imaginar, por exemplo, uma Fórmula 1 só com mulheres. Sendo assim, teoricamente, a categoria permite que mulheres corram.

A diferença é que além de ter talento (e um bom patrocínio) é preciso enfrentar o preconceito de um esporte masculinizado. A célebre “pilotos de fogão” talvez seja a frase mais leve que candidatas a piloto tenham escutado.

Na história da Fórmula 1, cinco mulheres participaram oficialmente. A italiana Maria-Teresa de Filipis entrou pra história sendo a primeira ao completar um GP em 1958, na Bélgica. Quase vinte anos depois, sua compatriota Lella Lombardi seria a primeira a marcar pontos, na Espanha em 1975.

Depois disso, participaram a britânica Divina Galica, entre 76 e 78, a sul-africana Desire Wilson, em 80 e a italiana Giovana Amati foi a última na Formula 1, falhando na classificação no GP do Brasil de 1992.

Brasil, aliás, que descobriu uma piloto em 1998, mas não na F1. Débora Rodrigues, ex-modelo e ex-Sem Terra, disputa até hoje a Fórmula Truck.

Com relação ao preconceito de ver uma mulher correndo e desafiando homens, as coisas mudaram pouco até hoje. No entanto, a salvação para garotas que aspiram os carros de corrida pode ter aparecido em 2004, longe daqui, nos Estados Unidos.

Naquele ano, a IRL, conhecida aqui no Brasil pelos títulos de Tony Kanaan e Gil de Ferran, além das 500 Milhas de Indianápolis, vivia um momento complicado, sem público e sem perspectiva de melhora. Até que em 2005, o time de Bobby Rahal trouxe Danica Patrick da F-Atlantic.

Danica não era a primeira mulher a correr na IRL. Sarah Fisher participa da categoria desde 1999, mas sem resultados expressivos além de dois pódios. A novata, porém, era mais carismática e tinha em suas costas a promessa de resultados e um baita marketing. Em seu primeiro ano, lutou pela vitória das 500 Milhas, onde terminou em quarta e conquistou três poles. O que lhe rendeu um contrato com uma das maiores equipes do certame, a Andretti-Green.

A categoria dava seu golpe de mestre. Uma mulher, bonita, rápida e nascida nos Estados Unidos, era o que faltava para o público ter interesse na IRL novamente. Com três pódios, falta apenas uma vitória, mas nestes três anos, Patrick tem mostrado evoluções e esta certamente é apenas uma questão de tempo.

Ano passado, a IRL chegou a ter três mulheres em algumas corridas. A venezuelana Milka Duno correu em alguns ovais, mas figurou sempre no final do pelotão. Seu melhor resultado foi uma 11º colocação, mas ela deve seguir na Indy este ano.

Em 2006, a então categoria rival da Indy, Champ Car, também contou com uma mulher. Katherine Legge disputou duas temporadas, obtendo como melhores resultados dois sextos lugares. Este ano, Legge competirá na DTM, campeonato alemão de turismo e bem na Europa.

Para este ano, duas promessas femininas estão na Pro Series, categoria de acesso para a IRL. A brasileira Bia Figueiredo e a suíça Cyndie Allemann disputarão o campeonato regular. Cyndie, aliás, é um caso especial. Além de enfrentar o preconceito por ser mulher, o automobilismo é proibido na Suíça. Mesmo assim, ela tem conseguido espaço para mostrar seu talento.

Falando em talento, o de Bia, ou Ana Beatriz, como é chamada nos Estados Unidos, é indiscutível. A paulista foi vice-campeã brasileira de kart em 2002 e primeira mulher a vencer no mundo uma prova de F-Renault. Em 2005 ficou a apenas dois pontos do título da categoria. Em 2006, foi a primeira mulher a fazer uma pole na Fórmula 3 Sul-americana e ano passado representou o Brasil na A1 GP.

Estas mulheres são verdadeiros exemplos de que todas as dificuldades, preconceitos e qualquer outro tipo de barreira são vencidos pelo talento e principalmente pela determinação de realizar os objetivos. Feliz Dia Internacional das Mulheres!

Rápidas

IRL e Champ Car anunciaram em fevereiro a unificação das categorias. Não se sabe ainda, porém, quais equipes remanescentes da CC participarão da nova Indy. O que se sabe é que algo estranho acontecerá em abril. Por compromissos contratuais, dia 19 as equipes que vieram da IRL correm no Japão e dia 20 as que vieram da CC em Long Beach. Ambas valerão pontos para o mesmo campeonato. A pontuação seguida será a vigente na IRL. E o resto deste ano de transição deve ser bem confuso mesmo.

E já que falamos de mulheres pilotos, uma brasileira começou bem o ano. A carioca Jennifer Costa foi vice-campeã do V International Kart GP, vencido por Alberto Cattucci. O GP, conhecido como Mundial Biland no Brasil era considerado pela FIA mundial oficial até ano passado.

Por Edmur Hashitani

Publicado originalmente no jornal Alpha Autos, em 8/3/2008

posted by edmur hiroshi hashitani@2:14 PM

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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008
Pergunte para o perito!

Vi isso agora há pouco e precisava compartilhar com alguém:
Em um telejornal da Record News, que eu não prestei atenção qual era e nem quem era o repórter, estava passando uma matéria sobre uma chacina que aconteceu aqui em São Paulo.
Eis o diálogo entre o repórter e um senhor, daqueles bem emblemáticos, vizinho do local do crime:

Repórter: o senhor viu os bandidos?
Senhor: não vi não senhor.
Repórter: mas o senhor ouviu os tiros?
Senhor: ouvi sim.
Repórter: e quantos foram?
Senhor respondendo sensacionalmente: num sei não, num contei! (sic)

Ahh ha ha! que essa eu não vou nem comentar.


posted by edmur hiroshi hashitani@3:56 PM

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Sábado, Fevereiro 09, 2008
Escrúpulos?

Não costumo comentar futebol aqui, apesar de ser uma das minhas paixões, mas essa doeu. Agora há pouco abri a página de esportes do Portal Terra, e eis que me deparo com isto:

Romário admite que proposta do Flamengo é “muito boa”
O acordo entre Romário e o Flamengo pode estar próximo de se concretizar. As sedutoras propostas do vice de futebol Kléber Leite teriam encantado o atacante, que já não tem qualquer escrúpulo em admitir que está pronto para trocar São Januário pela Gávea.


Resolvi ler o texto e este trecho, que estava sendo usado como chamada no portal, era também o lead da matéria, assinada pela experiente Marluci Martins, do jornal O Dia.

Vamos ao que interessa. Meu espanto foi pela falta de escrúpulo, segundo a jornalista, do atacante carioca. Pois bem, vejamos o que diz o Houaiss: “escrúpulo - senso moral; cuidado”.

OK. Romário é um exemplo de profissionalismo e ética? Não, não é. Mas, se alguém acompanhou a saída dele do Vasco da Gama, sabe o porquê do ocorrido. Segundo o treinador-atacante, ele teria recebido uma interferência na escalação do seu time, não aceitou e pediu as contas. Versão essa confirmada pelo presidente do clube, Eurico Miranda. Isto é falta de senso moral ou excesso?

Talvez o argumento é que a falta de escrúpulo seja porque a troca foi por um time rival. Balela. Romário já vestiu a camisa de quase todos os times cariocas, num eterno vai-e-vem. E mais. No futebol atual, salvo Rogério Ceni, que jogador se arrisca a ficar a vida inteira no mesmo clube? Que jogador não muda de clube em função de um aumento substancial de salários? Então todos os jogadores, técnicos, dirigentes, são inescrupulosos?

Enfim, não consigo saber ao certo qual foi a interpretação da palavra feita pela jornalista. Acredito inclusive que não houve intenção alguma de ofender o jogador ou qualquer coisa parecida. Até porque, pelo que pesquisei, ela costuma falar bem dele.

O que não aceito é o Terra, pegar isso e colocar na capa. Se eu tivesse lido apenas o texto, sem a chamada, talvez nem tivesse reparado, não tivesse achado pejorativo nem nada. Aí eles pegam e usam na capa da editoria de Esportes para chamar a atenção. OK, concordo que deu certo em partes, afinal, chamou a minha atenção e me fez ler. Mas atentou de um jeito ruim. Causou-me uma péssima impressão.

Agora me digam, o Terra, ao fazer isso, tem escrúpulos? Usar uma palavra que ofende o jogador, que seja facilmente relacionada com seres de má índole, para chamar a atenção para uma simples matéria é ter escrúpulos? Pra mim não.

P.S.: O texto pode estar confuso, cheio de interrogações sem respostas, mas foi só pra não deixar passar em branco.

posted by edmur hiroshi hashitani@5:45 PM

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